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Hotel Coroados

Hotel Coroados

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R. Sen. Souza Naves, 314 - Centro, Londrina - PR, 86010-160, Brasil
Alojamento Hotel
7.8 (216 avaliações)

Na Rua Senador Souza Naves, número 314, no coração de Londrina, ergue-se uma edificação que, para o transeunte desatento, pode parecer apenas mais uma construção antiga. No entanto, o prédio do Hotel Coroados é um arquivo silencioso da história da hotelaria na cidade. É fundamental iniciar esta análise com uma informação crucial: o Hotel Coroados encontra-se permanentemente fechado, não sendo mais uma opção de alojamento para visitantes. O que resta são as memórias e os registos de um estabelecimento que viveu fases de glória, decadência e que, por décadas, ofereceu um teto a inúmeros viajantes.

De Marco de Luxo a Refúgio Econômico

A trajetória deste lugar é mais profunda do que as avaliações recentes podem sugerir. Antes de ser o Coroados, o edifício abrigou o Hotel Londrina, inaugurado na década de 1940 e considerado, à época, o mais sofisticado e importante da cidade. A sua arquitetura, com traços Art Déco que ainda se podem vislumbrar na geometria e simetria da fachada, foi concebida para impressionar investidores e visitantes ilustres. Em 1962, o hotel foi vendido e, após uma extensa reforma, reabriu em 1963 com o nome Hotel Coroados, uma homenagem à etnia indígena que habitava a região. Naquele período, o Coroados manteve o padrão de luxo, continuando a ser o hospedaje preferido de artistas e figuras políticas que passavam por Londrina.

Contudo, o tempo é implacável, e o que um dia foi o auge do conforto transformou-se gradualmente numa opção mais modesta. As últimas avaliações de hóspedes pintam um quadro de um hotel que parou no tempo, oferecendo uma experiência de contrastes marcantes.

Os Pontos Fortes da Tradição

Mesmo nos seus últimos anos de funcionamento, o Hotel Coroados conseguia cativar uma parte dos seus clientes. O principal elogio, recorrente em diversas avaliações positivas, era direcionado ao atendimento. Hóspedes descreveram a recepção como calorosa e o serviço como ótimo, características de uma hospitalidade mais tradicional e pessoal, difícil de encontrar em grandes redes. Para muitos, essa atenção fazia com que a estadia nesta simples posada urbana valesse a pena.

Outros pontos frequentemente elogiados incluíam a limpeza das habitaciones e a segurança do estacionamento, que contava com portão eletrônico, um detalhe importante para quem viajava de carro. O café da manhã também surge como um elemento de destaque em alguns relatos, sendo descrito como "muito bom", sugerindo que, pelo menos para alguns hóspedes, a qualidade da primeira refeição do dia superava as expectativas para um estabelecimento de sua categoria. Era um serviço que, quando bem executado, elevava a percepção de valor deste modesto albergue disfarçado de hotel.

O Peso Inegável do Tempo

Em contrapartida, as críticas eram igualmente contundentes e focavam quase exclusivamente na infraestrutura datada. A expressão "muito velho" aparece constantemente para descrever móveis, camas e colchões. Um hóspede chegou a mencionar, com um misto de nostalgia e crítica, a presença de uma máquina de escrever na recepção, um símbolo perfeito de um lugar que não acompanhou a modernização. Essa atmosfera antiga, que para alguns era "aconchegante", para outros era simplesmente sinônimo de desconforto.

A ausência de ar-condicionado era uma das queixas mais significativas, sendo os quartos equipados apenas com ventiladores de teto, uma solução insuficiente para o calor da região em certas épocas do ano. As fotografias disponíveis do local corroboram essa percepção: mostram ambientes simples, com mobiliário básico e um estilo que remete a décadas passadas. Claramente, não se tratava de um resort ou de um complexo de apartamentos vacacionais, mas sim de uma estrutura que oferecia o essencial, e nada mais.

Uma Oferta Inconsistente: O Dilema do Custo-Benefício

A dualidade de opiniões, especialmente sobre itens como o café da manhã, que era "ótimo" para uns e "ruim" para outros, sugere uma provável inconsistência na qualidade do serviço. Essa variação é comum em estabelecimentos mais antigos e independentes, que não seguem os rígidos padrões de uma franquia. A experiência no Hotel Coroados parecia depender muito do dia, do quarto recebido e, principalmente, da expectativa do hóspede.

Um comentário de um visitante que não se hospedou, mas acompanhou um colega, resume bem a proposta do hotel: a infraestrutura era antiga, mas condizente com o preço. O Coroados posicionou-se, em sua fase final, como uma alternativa de baixo custo numa localização central privilegiada. Era uma hostería para o viajante que priorizava a economia e a localização em detrimento do luxo e da modernidade. A escolha de se hospedar ali era uma troca consciente: aceitar instalações datadas para se beneficiar de um preço acessível e da conveniência de estar no centro da cidade.

O Fim de uma Era na Hotelaria Londrinense

O encerramento definitivo das atividades do Hotel Coroados marca o fim de um capítulo importante. A sua história reflete a transformação do próprio setor de hospedaje. O que antes era um símbolo de status, com painéis de azulejos pintados na entrada e pisos de granito, não conseguiu competir com as novas exigências dos viajantes por conforto e tecnologia. O fechamento, em 2019, do histórico Salão Coroados, uma barbearia que funcionava no mesmo prédio desde a época do Hotel Londrina, já era um prenúncio do fim.

Hoje, quem procura por cabañas, villas ou um departamento moderno em Londrina encontrará inúmeras opções. No entanto, o legado do Hotel Coroados permanece na memória da cidade. Ele foi, por mais de meio século, uma peça fundamental no cenário urbano, adaptando-se de um palácio de luxo a um abrigo funcional e acessível. Para os potenciais clientes que hoje buscam um lugar para ficar, a mensagem é clara: o Hotel Coroados já não aceita reservas, mas a sua história serve como um lembrete fascinante da evolução da hospitalidade em Londrina.

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